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A crisma encontra-se entre os três sacramentos chamados “da iniciação cristã”, junto com o batismo e a eucaristia. Essa denominação traz consigo uma constatação histórica. Nos três primeiros séculos da igreja Católica, como os catecúmenos (aprendizes) provinham das conversões adultas de pagãos e judeus, a preparação (catecumenato) meio longa, para estes sacramentos recebidos junto com o batismo, era realmente uma iniciação na vida cristã com a prática da fé. Com o passar do tempo, foram se multiplicando as comunidades cristãs, e consequentemente crescendo o número de crianças. E surgiram os questionamentos. Por que não batizar uma criança, se já nascia de um casal cristão? Por que, recebendo a graça batismal, não podia desde o berço, ir recebendo dos pais e padrinhos a formação teórica da fé, se tinham já a graça do espírito? Diante dessa lógica do compromisso paterno, a Igreja começou o batismo de crianças, que chegou a prevalecer sobre o de adultos, já que, naturalmente, estes diminuíam. Apresenta-se como muito razoável essa prática. O problema, porém, em nossa época, é a dificuldade dos pais assumirem a educação dos filhos batizados para a vida de fé, como cuidavam de o fazer aqueles pais cristãos, à medida que suas crianças iam crescendo. A eucaristia segue idêntico processo e pelas mesmas razões práticas. Com a diferença óbvia de sua iniciação, concedida inicialmente na adolescência, a partir Dos 12 aos 14 anos e, no pontificado de S. Pio X para crianças mais esclarecidas, a partir de 08 anos. Ultimamente, porém, a Igreja tem-na indicado, a partir dos 10 anos, quando a criança se encontra com maior capacidade de compreensão da doutrina eucarística. A crisma, como sacramento de confirmação na fé e de um compromisso de praticar os deveres cristãos, exigindo, portanto, certa responsabilidade, é concedido aos adolescentes acima dos 14 anos. Tem ainda o sentido da afirmação pessoal que se inicia nesta fase da vida humana, fazendo-a desenvolver-se à luz do Espírito Santo recebido, até chegar à idade adulta. É mesmo chamado de "sacramento dos adultos na fé". Contudo, vem-se tornando cada vez mais preocupante a realização da crisma, em nossos dias. Isso pela falta de resposta aos compromissos com a fé, assumidos na crisma, por parte da maioria dos neocrismandos. Particularmente, a ausência aos atos religiosos, com grande incidência à participação na eucaristia. Tem-se a impressão de um descaso total e coletivo. É caso de ser estudado, pesquisado. Parece que esses jovens não se compenetraram do sentido desse, da vitalidade espiritual que ele contém, do valor e eficácia da ação do Espírito Santo, invocado e recebido. Recebem a crisma (confirmação consciente do batismo) como se recebessem uma bênção apenas, ou um passe. O pior é quando acontece, e acontece, algum neocrismando, poucos meses depois, abandonar, de vez, a sua Igreja, e até passar para outra religião! E por motivos irrelevantes. Mesmo sem motivos. Ou, quem sabe, desmotivados? Será que houve consciência de terem recebido como sacramento os dons do Espírito Santo, conferidos na Liturgia crismal? Sei que há esforços de comunidades por conseguir essa redenção. Mas, o que acontece não deixa de ser inquietante, particularmente para quem se dedica a essa pastoral. Também, não vamos ignorar as pressões, convites, atrações da mídia, ocupações escolares mal administradas, etc. que, hoje, mais que antigamente, recaem sobre a juventude. Por isso mesmo, o dever de buscar soluções só pode aumentar. |